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domingo, 23 de abril de 2017

A terrível explosão que deu origem à lenda da Atlântida e do Dilúvio Universal


A terrível explosão do Vulcão de Thera:
Segundo afirmam alguns geólogos, a explosão na antiga Ilha de Thera, no Mar Mediterrâneo, ou a Erupção Minóica do Mar Egeu, foi a mais forte explosão que já aconteceu no Planeta Terra. Calcula-se que a explosão do grande vulcão que existia na Ilha de Thera, ocorrida aproximadamente no ano de 1.645 antes de Cristo, tenha sido quatro vezes maior do que aquela que ocorreu com o vulcão de Krakatoa, em 1883!
A grande explosão na Ilha de Thera abalou todo o Mar Egeu
Esta enorme explosão criou uma grande coluna de cinzas e fuligem que afetou culturas agrícolas até na China, na Fenícia e no Egito. Desintegrou o solo e o subsolo da Ilha de Thera, transformando-a  num arquipélago de cinco ilhas, conhecidas hoje como Arquipélago de Santorini, (Santa Irene, em italiano). 
Sua coluna de fumaça chegou até a estratosfera, e a onda sísmica criou várias ondas marinhas enormes e um tsunami que atingiu mais de 100 metros de altura. O tsunami criado pela explosão arrasou o litoral da Ilha de Creta, situado a cerca de 110 quilômetros de distância, destruindo parte da sua frota naval e contribuindo para a fase de decadência da Civilização Cretense.
As ondas sísmicas, a partir de Thera, chegaram até o Oriente Médio
Também provocou ondas enormes que invadiram o Delta do Rio Nilo e arrasaram com as culturas egípcias daquela rica região, causando fome e revoltas populares. A rica cidade portuária de Acrotíri, que ficava em Thera, foi totalmente destruída e a navegação pelo Mar Egeu ficou seriamente prejudicada durante muito tempo. Parecia que o mundo ia se acabar! Milhares de pessoas morreram, e o céu ficou totalmente escuro durante vários dias.
Esta terrível explosão do vulcão na Ilha de Thera não poderia mesmo ser apagada da memória e do imaginário popular dos povos da Idade do Bronze Grego, e que viviam nos litorais ao longo do Mar Mediterrâneo. Assim, começaram a aparecer algumas lendas antigas que contribuíram para enriquecer a Mitologia Grega, como a Lenda do Grande Dilúvio de Deucalião e a Lenda da Destruição da Atlântida.

Situação da ilha 3.600 anos depois:
A explosão vulcânica na ilha de Thera foi tão grande que explodiu e arrancou a parte central da ilha, mandando-a para o espaço, e formou uma imensa cratera que foi engolida pelas águas do Mar Egeu. Ainda hoje, 3.600 anos depois, podemos ver como ficou aquela região e as porções de terra que restaram da ilha.
Arquipélago de Santorini e a posição atual das duas Ilhas Kameni.
Atualmente, o turismo tomou conta daquele arquipélago formado por duas ilhas maiores e três pequenas ilhas, servindo como principal fonte de renda para os atuais moradores gregos. Excursões programadas levam os turistas para conhecer a cratera do vulcão, chamada de Nova Ilha Kammeni, e que vem crescendo cada vez mais, nos últimos 400 anos, uma vez que a atividade geológica do vulcão ainda continua! Grandes navios de turismo trazem pessoas de várias partes do mundo e, na borda daquela imensa cratera, foram construídas várias casas e pousadas para contemplação da Ilha Kammeni, situada no meio da cratera do antigo vulcão da Ilha de Thera.
Como a atividade do vulcão ainda não cessou, e chegou a cobrir de lava várias casas e um pequeno porto que existia na Ilha Kammeni, o Governo da Grécia proibiu a presença de moradores naquela ilha.
Igreja em Santorini e a Ilha de Kameni no meio da cratera.
Atualmente, o arquipélago chama-se Ilha de Santorini, e também possui um aeroporto para receber os turistas. Navios e escunas levam os excursionistas para percorrer a pé, ou no lombo de burros, a trilha que leva até a cratera ativa do vulcão que, de vez em quando, solta lavas e colunas de fumaça.
No litoral da Ilha Kammeni também existem fontes termais, no fundo do mar, que aquecem a água e permitem o banho coletivo dos turistas. Existe até uma pequena praia, na base da encosta da montanha, chamada de Praia Vermelha, por causa da coloração das suas rochas.

Origem de várias lendas:
As erupções do vulcão duraram cerca de três dias, e também foram acompanhadas por um grande terremoto e vários tremores de terra. As ondas sísmicas se espalharam por quase toda a região do Mar Mediterrâneo, afetando os moradores dos litorais da Anatólia, Grécia, Fenícia e Egito. Os tsunamis varreram a costa de várias ilhas do Arquipélago das Ilhas Cíclades, situadas ao norte do Mar Egeu.
Região do Mar Egeu onde ficam as Ilhas Cíclades.
Os moradores destas ilhas começaram então a contar histórias interessantes sobre estes fatos, que depois viraram lendas e foram incorporadas à lista de histórias da Mitologia Grega. As duas lendas mais famosas dizem respeito à Atlântida e ao Grande Dilúvio de Deucalião.
Segundo a lenda, a Atlântida teria sido uma maravilhosa ilha onde existia uma civilização extremamente evoluída. Muitos acham que foi o filósofo grego Platão quem primeiro escreveu sobre a Atlântida. Na verdade, o primeiro a escrever versos falando de Atlântida foi Sólon, famoso administrador de Atenas. Sólon ouviu falar da lenda da Atlântida quando viajou para a cidade de Saís, no Delta do Rio Nilo.
Saís foi uma das cidades que mais sofreram com os tsunamis provocados pela erupção do vulcão na Ilha de Thera, em 1.645 antes de Cristo. Um sacerdote de Saís, chamado Thereupon, contou para Sólon a lenda da destruição de uma grande ilha, no meio do oceano, chamada Atlântida.
Concepção artística de como os antigos imaginavam a Atlântida

Sólon resolveu então escrever alguns versos sobre esta história. Estes versos se perderam, mas a história prosseguiu e, anos mais tarde, chegou aos ouvidos de Crítias. Crítias era o tio-avô de Platão, ou um primo mais velho da sua mãe, e contou para Platão sobre os versos que Sólon tinha escrito a respeito de uma ilha misteriosa, no meio do mar, e que havia sido destruída por um grande cataclisma.
Platão ouviu aquela história e decidiu contá-la nos seus livros “Crítias” e “Timeu”, aonde ele narra os diálogos que teve com seu tio e outras pessoas. Foi assim que a lenda sobre a Ilha da Atlântida chegou até os nossos dias!
O Dilúvio de Zeus e Poseidon influenciou a lenda da Arca de Noé.
Quanto à história da arca construída por Deucalião e sua esposa Pirra, para se salvarem do grande dilúvio, ela é contada na Mitologia Grega, e deve ter influenciado a história bíblica da Arca de Noé.
Zeus, o maior de todos os deuses gregos, estava zangado com as atrocidades humanas, e decidiu destruir a espécie humana com um grande diluvio. Para isto, teve que pedir a ajuda do seu irmão Poseidon, o senhor dos mares, das tempestades e dos terremotos. Poseidon era adorado na Ilha de Creta. Acontece que o titã Prometeu não queria que seu filho Deucalião, (o mais justo dos homens), e sua esposa Pirra, (a mais virtuosa das mulheres), morressem neste grande dilúvio. Tratou então de aconselhá-los para que construíssem uma arca, que iria flutuar sobre as águas.
Monte Parnaso, perto de Delfos, foi onde parou a arca de Deucalião
Quando Zeus inundou a Terra, apenas o cume da Montanha Parnaso, que tem 2.460 metros de altura, ficou para fora. Segundo a Mitologia Grega, o Monte Parnaso, perto de Delfos, é uma das residências do Deus Apolo e das suas 9 musas! Foi no Monte Parnaso que a arca de Deucalião conseguiu abrigo. Deucalião e Pirra caminharam depois para o Templo de Têmis, que ficava no Monte Parnaso, onde consultaram a Deusa da Justiça sobre como deveriam proceder. Têmis lhes orientou para que jogassem várias pedras sobre os ombros, e assim eles fizeram. As pedras que Deucalião jogava transformavam-se em homens, e as pedras que Pirra jogava transformavam-se em mulheres. Assim, a Terra foi povoada novamente. A Mitologia fala que um dos filhos de Pirra com Deucalião foi Heleno, o mais antigo ancestral do povo grego.

Destruição do litoral norte de Creta e da Foz do Rio Nilo:
A erupção do vulcão na Ilha de Thera demorou 3 dias, antes de acontecer a grande explosão. Durante este tempo enormes ondas foram formadas, e aconteceu um grande terremoto, que causou um gigantesco tsunami com mais de 100 metros de altura! Estas ondas espalharam-se pelo Mar Mediterrâneo e atingiram outras ilhas e regiões importantes, tais como o litoral norte da Ilha de Creta e a foz do Rio Nilo.
Os cretenses formavam um povo alegre e festivo.
As cinzas e a fuligem, expelidas pelo vulcão, prejudicaram muito as plantações de várias regiões, provocando fome e revoltas populares!
A Civilização Cretense, também conhecida como Civilização Minoica, era formada por um povo alegre e festivo. Sua capital ficava na cidade de Cnossos, onde suas mulheres gostavam de exibir os seus seios nus e os palácios eram ricamente ornamentados.
Mulheres cretenses dentro do Palácio Real do Rei Minas, em Cnossos.
Os navios cretenses transportavam artigos por quase todo o Mediterrâneo e chegava até a Sicília e o Egito. Eles transportavam produtos como o azeite, vinho, cerâmicas, joias e tecidos. A escrita usada pelos comerciantes e eruditos minóicos, a Lineal A, infelizmente ainda não foi decifrada!
Na Ilha de Creta, situada a cerca de 110 quilômetros de Thera, as grandes ondas começaram a chegar cerca de 40 minutos depois das primeiras explosões! Isto causou a destruição da frota naval e das construções situadas ao longo do litoral norte cretense. As cinzas lançadas pelo vulcão de Thera cobriram os campos, destruindo as lavouras. Muitas pessoas morreram e muitas plantações foram destruídas, contribuindo assim para o enfraquecimento da economia e do poderio naval minoico.
Príncipe de Cnossos retratado num afresco
Creta estava passando por um período de decadência, e Thera era uma das suas principais colônias! Os anos foram passando, mas Creta não conseguiu mais recuperar o seu antigo apogeu, ficando cada vez mais fraca, o que facilitou a sua invasão pelos povos aqueus, vindos do norte e do continente grego, por volta de 1450 antes de Cristo.
Os povos aqueus formavam uma aristocracia de guerreiros experientes, cuja capital ficava na cidade de Micenas. Outras importantes cidades da civilização micênica eram Tirinto, Pilos e Argos. Depois da destruição de Creta, e da sua capital Cnossos, durante a Idade do Bronze Grego, a cidade de Micenas transformou-se na mais importante da Grécia, por um período de mais de 300 anos.
As grandes ondas também atingiram o Egito, e os litorais da Fenícia e da Anatólia. No Vale do Rio Nilo, as ondas chegaram com menos intensidade do que em Creta, mas apresentavam uma grande altura, com cerca de 20 metros, que foi suficiente para invadir o vale e destruir casas e plantações. As cinzas cobriram os campos e destruíram a água usada nas lavouras. Isto causou fome e a revolta da população, o que contribuiu para o enfraquecimento do poder do faraó da décima quinta dinastia egípcia.
Plantações na Planície do Delta do Rio Nilo foram atingidas pelo tsunami
O Egito tornou-se uma potencia mais fraca, o que contribuiu para a invasão definitiva dos Povos Hicsos, vindos do Oriente Médio, da região de Canaã. Os povos hicsos eram vistos com  um certo preconceito pelos nativos egípcios, pois estes os tratavam com maldade e os chamavam pejorativamente de “vagabundos das areias”. Os hicsos começaram a invadir o Baixo Egito por volta de 1.750 antes de Cristo, em busca de alimentos, e foram se instalando gradativamente naquela região.
Com os acontecimentos causados pelos tsunamis, que destruíram o Delta do Nilo, os hicsos aproveitaram para tomar o poder e implantar a sua dinastia, que durou quase 200 anos, e ficou conhecida como a décima sexta dinastia do Egito! Sua capital foi implantada na cidade de Aváris, no lado leste do Delta do Rio Nilo.

Continuação da atividade eruptiva do vulcão de Santorini:
Ocorrida por volta de 1.645 antes de Cristo, a Erupção de Thera, ou Explosão Minóica, no Mar Egeu, foi a mais forte explosão já vista na Terra! Gerou maremotos, tremores de terra, terremotos e um forte tsunami que varreu o litoral de várias das ilhas do Arquipélago das Ilhas Cyclades e chegou até o litoral do Egito.
A erupção, que durou 3 dias, também derramou muita lava, provocou muitas nuvens de cinzas e fuligem que destruíram plantações na Europa, no Oriente e até na China! A cidade de Acrotíri, capital de Thera, e o seu próspero porto, também foram imediatamente destruídos e soterrados pelas lavas e cinzas do vulcão. A explosão da boca do vulcão provocou a destruição de quase toda a Ilha de Thera, deixando apenas uma grande cratera e algumas pequenas ilhas, que hoje formam o arquipélago de Santorini. Com o passar dos anos, apareceram duas pequenas ilhas, no meio da cratera formada por aquela terrível explosão.
Vista aérea da Ilha de Nova Kameni, em Santorini
Estas duas ilhas são o resultado da atividade eruptiva e do derrame de lava do vulcão, que ainda está ativo! Elas se chamam Velha Kameni e Nova Kameni, e recebem a visita de centenas de turistas todos os meses.
Segundo afirmam alguns geólogos, antes desta terrível explosão, já haviam ocorrido 12 importantes fases eruptivas na Ilha de Thera. Entretanto, nos últimos 400 anos, a ilha Nova Kameni foi ficando cada vez maior. Durante o século XIX, entre 1866 e 1870, Santorini apresentou erupções de lava consideráveis que destruíram as casas de um pequeno porto construído na Ilha de Nova Kameni, onde fica a boca do vulcão.
Os turista caminham pelas trilhas que levam até a cratera do vulcão de Nova Kameni, em Santorini, na Grécia.

Em agosto de 1925 o vulcão voltou a ficar ativo e, durante 6 meses, houve derramamento de lava, formação de gêiseres e vapores, e também uma grande coluna de fumaça, com 3,5 quilômetros de altura. Isto levou o Governo da Grécia a proibir a presença de pessoas naquela ilha durante a noite. Várias erupções e derrames de lava também ocorreram no final da década de 30.
Aparelho registrando os sismos da cratera de Santorini
Nos dias de hoje, apesar do vulcão estar mais inativo, ele pode acordar a qualquer momento para iniciar um novo ciclo de erupções, motivo pelo qual as autoridades estão instalando sismógrafos e diversos aparelhos que medem o seu comportamento, a fim de providenciar uma possível retirada da população da Ilha de Santorini.

Atividade turística em Santorini:
Enquanto uma nova tragédia não acontece em Santorini, os turistas vão aproveitando para conhecer melhor a ilha que está se formando no interior daquela grande cratera. No norte da Ilha de Nova Kameni existem fontes de águas termais, que brotam do fundo do mar e formam as águas quentes, propiciando o banho coletivo. Este local, onde a água do mar é mais escura, é chamado de “Águas Vermelhas”.
Banho coletivo dos turistas nas águas quentes de Nova Kameni.


Os barcos e escunas trazem os turistas, que ficam hospedados em Santorini, para conhecer a cratera do vulcão e ver de perto a atividade que ainda existe no seu interior. Excursões são planejadas antecipadamente e já existem até cavalos e mulas esperando para levar os turistas através das trilhas daquela ilha.
Na Ilha de Nova Kameni existe até uma pequena praia, que atrai os turistas que querem sentir a sensação de estar tomando Sol no local da maior explosão vulcânica que já aconteceu no nosso planeta.
Casas e pousadas da Ilha de Santorini, na Grécia.

As pousadas e hotéis situados em Santorini dispõem de grandes comodidades, piscinas e uma vista privilegiada da grande cratera. Pessoas de todo o mundo procuram seus aposentos, para conhecer o que restou da antiga Ilha de Thera e ver as ruínas de Acrotíri, os objetos e as pinturas antigas, que foram delicadamente recuperados, e para tirar muitas fotos.
Hoje, o local daquela terrível tragédia geológica transformou-se numa das maiores atrações turísticas da Grécia e da Europa!
Modelo tirando fotos em Santorini, na Grécia.




domingo, 5 de maio de 2013

A destruição da Civilização dos Tartessos


A destruição da Civilização dos Tartessos:

Na Península Ibérica, no sul da Espanha, existiam muitas jazidas de cobre, prata e ferro. No ano de 800 A.C, no vale do Rio Guadalquivir, na região litorânea do Golfo de Cádiz, perto das antigas minas de prata e cobre de Huelva, floresceu uma civilização, baseada na metalurgia destes minerais, e que fez da cidade de Tartessos a sua capital.
                           Reprodução de antigas galeras gregas daquela época
   
A cidade de Tartessos dominava a metalurgia do bronze e do ferro e tinha algumas aldeias mineradoras ao longo do Rio Guadalquivir. Os caminhos usados pelos tartessos, para o transporte dos minérios usados na sua indústria, parecem levar às jazidas existentes atualmente na Serra Morena, onde hoje uma gigantesca companhia de mineração, com capitais ingleses e australianos, domina aquela região e atrapalha os trabalhos de escavação das antigas ruínas da civilização dos Tartessos.
Antigos documentos nos falam dos reis que governaram aquela civilização: um foi Norax, que fundou a cidade de Nora, na Sardenha. Outro rei foi Argantonio, que fez alianças comerciais com os gregos, o que acabou ocasionando uma guerra contra os fenícios de Cartago. O rei Gárgoris foi que incentivou o uso da apicultura na agricultura dos tartessos.
Abaixo vemos um soldado grego                   
Os tartessos tinham sido parceiros comerciais dos fenícios durante muitas décadas, mas, querendo explorar melhor os minérios que controlavam, na Serra Morena, resolveram fazer uma aliança com os gregos. O rei Argantonio permitiu que os gregos fundassem algumas colônias, no litoral sul da Espanha, para a exploração destes minérios.
Os fenícios de Cartago, e seus aliados tartessos, controlavam a estratégica passagem através do Estreito de Gibraltar. Mas, os cartagineses começaram a desconfiar do expansionismo grego e desta aliança com os tartessos! Na verdade, os fenícios já eram inimigos dos gregos há muito tempo, e queriam impedir que eles se apoderassem de importantes ilhas do Mar Mediterrâneo, como a Sicília e a Sardenha, onde prosperavam algumas importantes colônias fenícias.
Por outro lado, os gregos queriam controlar as rotas de navegação e consolidar um grande império, ao longo do litoral do Mar Mediterrâneo, que ficou conhecido como a “Magna Grécia”. Eles ambicionavam controlar a passagem pelas famosas “Colunas de Hércules”, ou seja, pelo Estreito de Gibraltar, que dava acesso ao estanho extraído das Ilhas Cassitérides, (Ilhas Britânicas), ao ouro extraído do Senegal e também às riquezas incalculáveis de terras desconhecidas, existentes no meio do Oceano Atlântico, como as terras da América, que naquela época era conhecida como Atlântida!
Visando combater os gregos, os fenícios cartagineses se aliaram com a Liga das Cidades Etruscas, pois os etruscos tinham uma boa frota de navios pequenos que dominava o Mar Tirreno, situado nas costas da Itália. Esta aliança temporária resultou numa importante batalha naval, na costa leste da Ilha da Córsega, conhecida como Batalha de Alália. No começo desta batalha naval, estavam posicionados, de um lado os navios cartagineses e etruscos, que eram aproximadamente 120 navios. Do outro lado, estavam os navios da colônia grega de Alália, situada na Ilha da Córsega, juntamente com alguns navios da colônia grega de Massália, que atualmente é a cidade de Marselha, situada no litoral sul da Gália, (a França era conhecida naquela época como Gália).
                                     Barco comercial que os etruscos usavam naquela época.
                                                
A frota grega era constituída por apenas 60 navios mas, segundo alguns historiadores, saiu vencedora deste confronto ocorrido em 537 A.C Na verdade, não existe certeza absoluta sobre quem saiu vencedor desta importante batalha naval. Mas, depois desta batalha, e de mais algumas outras batalhas decisivas, em várias ilhas, os gregos abandonaram a cidade de Alalia e começaram a perder o interesse em manter um domínio sobre o Mediterrâneo Ocidental. Assim, entregaram as terras do litoral sul da Espanha para o domínio dos cartagineses, a Ilha da Córsega para o domínio dos etruscos, e concentraram-se apenas nas colônias que mantinham na Itália e no Mediterrâneo Oriental.
Onde ficava a cidade grega de Alália, fica hoje a cidade de Aléria, no litoral leste da Ilha da Córsega. A cidade grega de Massália, (atual Marselha), foi inimiga do expansionismo cartaginês pelo sul da Espanha, durante muitos anos! Quanto aos etruscos, eles queriam ampliar a sua talassocracia, (governo baseado no controle dos mares), no Mar Tirreno, situado na costa oeste da Itália. Quanto aos gregos... Bem, hoje em dia a Grécia é dona da maior Marinha Mercante do mundo!
Os fenícios de Cartago queriam controlar a passagem pelo Estreito de Gibraltar, as ilhas do Mediterrâneo Ocidental e o acesso às minas de cobre, prata e ferro dos tartessos. Depois da Batalha de Alalia, os cartagineses atacaram e destruíram a cidade de Tartessos, por causa da sua aliança com os gregos.
Os cartagineses usaram de uma crueldade exemplar, para que isto servisse de exemplo para as outras cidades vassalas que eles controlavam. Muitos moradores foram sacrificados vivos, na fogueira, em honra ao deus fenício Baal. A cidade foi totalmente destruída e, até hoje, ainda não foi possível determinar o local exato da antiga cidade de Tartessos, na foz do Rio Guadalquivir, embora tenham sido encontrados alguns vestígios naquela região como, por exemplo, o Tesouro do Carambolo.
A idade do ferro floresceu em Tartessos de 750 A.C. até 500 A.C, quando a cidade foi destruída. Apesar das pesquisas, ainda não foi encontrado o local exato das ruínas desta cidade, que foi uma importante civilização da antiguidade. Porém, documentos gregos e romanos antigos comprovam a sua existência. Nas escavações feitas no litoral espanhol, nas proximidades da cidade de Huelva, foram recolhidos objetos, armas e instrumentos feitos com o ferro e o bronze forjados pelos antigos tartessos!
A Civilização de Tartessos chegou a ter uma frota de navios mercantes que manteve relações comerciais com vários países do Mediterrâneo e até com as Ilhas Britânicas, (Ilhas Cassitérides). Os principais fornecedores de cobre e prata para os fenícios de Cartago eram os tartessos. Os fenícios fundaram a cidade de Cádiz, no sul da Espanha, justamente para ficar mais perto dos seus fornecedores tartessos.

Os tartessos são citados também por outros povos da antiguidade como, por exemplo, pelos hebreus, que viviam no antigo Oriente Médio. A Bíblia, livro sagrado dos hebreus, nos fala, no Terceiro Livro dos Reis, capítulo 10, versículo 22, que a frota do Rei Salomão, juntamente com a frota do Rei Hirão, da cidade fenícia de Tiro, ia por mar, a cada três anos, para Tarsis, buscar ouro, prata, marfim, macacos e faisões! Alguns historiadores acreditam que Tarsis era o Reino dos Tartessos! Outros historiadores, porém, acreditam que Tarsis ficava no litoral da África, banhado pelo Oceano Índico, provavelmente na costa da Abissínia.
  
Os fenícios de Cartago, por sua vez, foram derrotados pelos romanos na Segunda Guerra Púnica, cerca de 300 anos depois da destruição de Tartessos. O general cartaginês Aníbal Barca já estava com suas tropas perto de Roma quando Cartago foi ameaçada pelas tropas do cônsul romano Públio Cornélio Cipião, que foram guerrear na África. Aníbal resolveu voltar, para ajudar sua capital, mas foi derrotado na conhecida batalha de Zama, em 203 A.C.
     Os fenícios de Cartago usaram elefantes para invadir a Europa e o Império Romano

A partir da derrota de Cartago, a cultura e o controle naval dos fenícios começaram a desaparecer da região do Mar Mediterrâneo. Roma assumiu o controle das principais rotas de navegação pelo Mediterrâneo, que passou a ser acertadamente chamado pelos romanos de “Lago Romano”, ou “Mare Nostro”!
Roma tinha um grande poder militar e também dominou os gregos, assimilando a sua cultura, que era bem mais adiantada que a romana, naquela época. Assim, Roma passou a ser o único grande império dominante que sobrou, na Antiguidade, controlando todos os outros povos da região do Mar Mediterrâneo.

 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O Enigma da Atlântida


Talvez todos nós já tivemos a oportunidade de ler ou assistir algum programa na televisão falando sobre a Atlântida. Mas poucas pessoas sabem realmente como é esta lenda e como ela surgiu. Por isto, vamos apresentar aqui os pormenores deste grande enigma da história da humanidade:
Segundo as lendas, a Atlântida foi um continente, ou uma grande ilha que existiu no Oceano Atlântico e estava localizada em frente ao Estreito de Gibraltar, que antigamente era conhecido como "As colunas de Hércules", (vide no mapa ascima a suposta localização da Atlântida). Esta grande ilha abrigava uma civilização muito desenvolvida e conhecedora de várias artes e ofícios. 
Esta ilha teria sido destruída por um grande cataclisma, ocorrido cerca de 11.000 anos atrás, e os seus habitantes teriam sido mortos e também se espalharam por outras regiões. Alguns teriam ido para o Mar Mediterrâneo, onde chegaram a guerrear com os atenienses, foram derrotados, e se espalharam pelas regiões que margeavam aquele mar interno.
Segundo os pesquisadores, um dos primeiros escritores a comentar sobre esta civilização foi o filósofo grego Platão. Platão escreveu dois diálogos, onde fala sobre a Atlântida, chamados "Timeu" e "Critias". Abaixo vemos um vídeo que descreve como esta história contada por Platão se espalhou:
O surgimento da lenda da Atlântida na antiga Grecia

Critias era um tio-avô de Platão, ou um primo da sua mãe, e lhe disse que ficou sabendo que o célebre administrador grego de Atenas, chamado Sólon, fez algumas anotações, em forma de poesia, sobre uma viagem que fez ao Egito, mais especificamente para o distrito de Saís, no delta do Rio Nilo. Neste local Sólon conversou com alguns sacerdotes da cidade de Saís e, um deles, de nome Thereupon, lhe falou sobre a existência e destruição da Ilha de Atlântis!
Assim, a informação sobre esta civilização passou do sacerdote egípcio Thereupon para Sólon, de Sólon para outras pessoas daquela época e acabou indo parar, anos mais tarde, nos ouvidos de Critias, um famoso político da época de Platão. Platão teve um diálogo com Critias, que ficou registrado no seu livro, e chegou até os nossos tempos! Esta lenda, contada pelo sacerdote Thereupon, se espalhou, e muitos livros sobre a Atlântida foram escritos e vendidos atraves dos tempos! Incrível, não é mesmo?
O fato é que na antiguidade já existiam muitas lendas falando de uma civilização avançada que teria sido destruída por um cataclisma, um grande maremoto, um terremoto ou a queda de um grande meteoro. Alguma pesquisas arqueológicas foram feitas para tentar achar a localização real desta enigmática ilha. Abaixo vemos um link da segunda parte do vídeo sobre Atlântida, que alguns pesquisadores acham ser a ilha de Thera:
Enorme explosão vulcânica que destruiu a civilização de Thera

A verdade é que as ruína de Atlântida nunca foram encontradas, muito embora sua lenda tenha permanecido viva até hoje! Muita coisa foi escrita sobre o assunto mas poucas pesquisas arqueológicas eficientes foram feitas. Abaixo vemos como as pesquisas em Thera estão sendo eficientemente realizadas, inclusive com computação gráfica:
Pesquisas e murais descobertos em Thera

Acompanhem os estudos arqueológicos feitos em Thera, e vejam como eles podem influenciar as interpretações históricas daquela época, no link do vídeo apresentado abaixo:
Estudos arqueológicos feitos em Thera

Sabemos que o desastre em Thera foi terrivel, mas ele também afetou a maioria dos moradores da grande ilha de Creta, dando início ao declínio da Civilização Cretense, como podemos ver no vídeo abaixo:
Como o tsunami vindo de Thera abalou a Ilha de Creta

Uma catástrofe desta dimensão não poderia mesmo ser apagada da memória e do imaginário popular dos povos da idade do bronze que viviam nos litorais do Mar Mediterrâneo. Acompanhem a última parte desta emocinante pesquisa histórica no link do vídeo abaixo:
Última parte da pesquisa nas ilhas de Thera e Creta

De qualquer forma sendo ou não Thera a real Atlântida de Platão, Sólon e Thereupon, ainda temos que elucidar muitos enigmas para que esta história se esclareça definitivamente!